• Sílvia Vilas

A minha realidade é a tua realidade?



Segundo o biólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi, no seu livro “Fluir”, recebemos cerca de 2 milhões de bits de informação a cada segundo. Seria impossível processar todos estes dados de uma forma consciente. Assim, a nossa consciência procede a uma filtragem chegando a cerca de 134 bits por segundo, bem mais fáceis de gerir. O nosso inconsciente regista toda a restante informação, mas à nossa consciência só aflui uma ínfima parte.


A grande questão que se levanta é: como é realizada essa filtragem? Que mecanismos usamos?


Eliminamos, distorcemos e generalizamos.


Sentimos em todo o momento o nosso coração a bater? Se estivermos no meio de muita gente, registamos todos os movimentos? Ou mesmo todas as pessoas presentes? Quando nos estão a contar uma história cheia de pormenores, registamos todas as palavras ditas? Em todas estas situações., há informação que é eliminada.


Quando discutimos a falta de um jogador com um amigo que é da equipa contrária, cada um vai interpretar o que se passou de uma forma distorcida porque cada um olha para determinados pormenores do acontecimento.


Finalmente, para podermos mais facilmente processar a informação, temos necessidade de a organizar segundo determinados critérios o que nos leva a fazermos generalizações muito frequentemente.


Estes filtros dependem das nossas crenças, da linguagem que normalmente usamos, das decisões que já tomámos na vida, dos nossos valores e das nossas memórias. Ou seja, estes filtros são criados pelo nosso ambiente familiar e social, pelos ensinamentos que fomos recebendo ao longo da vida, pela nossa experiência.


Já todos teremos passado por uma situação em que observámos algum acontecimento e cada pessoa presente o compreendeu de uma maneira totalmente diferente. Como é possível se o acontecimento é o mesmo? Cada um de nós usou os seus filtros e teve uma perceção diferente do acontecimento. Cada um tirou as suas conclusões únicas.


Essas perceções do nosso ‘mundo externo’ são chamadas de representações internas e são o resultado dos nossos filtros. Ora, como cada um de nós tem os seus valores, crenças, ambiente, aprendizagens, cada um de nós tem os seus filtros muito próprios. Esses filtros levam às tais representações internas que são únicas para cada pessoa. Cada um olha para a realidade de uma forma diferente e a nossa realidade é sempre diferente da realidade dos outros.


Qual o impacto destas diferentes visões da realidade nas relações interpessoais? Qual o impacto na Comunicação? Vale a pena pensar… e falar… sobre isto!


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