top of page
  • Sílvia Vilas

Espectadores passivos ou Aliados?



Se ouvíssemos uma destas expressões o que é que faríamos?


«É muito bonita para uma rapariga negra.»

«É tão corajosa! Eu não conseguiria viver com uma deficiência.»

«O que vale às pessoas gordas é que são bem-dispostas.»

«Nada contra os homossexuais só não gosto quando imitam as mulheres.”


Microagressões são interações diárias subtis que contêm um julgamento relativamente a grupos marginalizados. São frequentemente disfarçados como cumprimentos ou perguntas inocentes. Muitas podem nem ter como objetivo ofender, mas os alvos destes comentários sofrem stress psicológico, incluindo um aumento dos sintomas de depressão, ansiedade e stress pós-traumático, podendo até sofrer retaliações se falarem.


Por esta razão, os alvos não deveriam ser os únicos responsáveis por responder. Pessoas bem-intencionadas e que assistam a estes tipos de situações podem aprender a ser um aliado e ajudar nesse momento.


Um aliado é alguém que apoia pessoas marginalizadas, que é tipicamente de um grupo social privilegiado e cuja intervenção pode ser muito poderosa. Segundo NiCole Buchanan, professor de psicologia na Universidade Estatal do Michigan, “quando alguém de um grupo dominante intervém, é percebido como mais conhecedor, mais persuasivo e menos enviesado do que se o mesmo comentário fosse feito por um membro de um grupo marginalizado.”, logo “isso coloca o ónus nas pessoas privilegiadas para intervirem como aliados se tiverem um compromisso com a mudança.”


Mas responder de forma efetiva a microagressões necessita de prática, e as pessoas frequentemente não falam porque têm medo de causar mais dano ou não têm a certeza do que dizer, segundo Nicole Jacobs da Escola de Medicina na Universidade do Nevada, Reno. Então como podemos intervir se virmos um amigo, colega ou estranho a serem alvos de microagressões devido à sua etnia, género, orientação sexual, nacionalidade, idade, peso ou qualquer outro aspeto da sua identidade?


Seguem-se alguns conselhos de psicólogos – baseados em investigação científica – sobre como deixar de ser uma testemunha passiva para ser um aliado ativo.


Planear com antecedência Responder a uma microagressão pode ser complicado porque nem sempre é claro se houve dano e/ou se foi intencional e é por isso que é crucial pensar antecipadamente sobre formas de intervir quando estivermos perante uma situação destas.


Adaptar a nossa abordagem à situação.

As microagressões podem ter variadas formas, desde explícitas e intencionais, como anedotas racistas, até situações mais subtis como dar a entender que uma pessoa racializada conseguiu o seu emprego devido a um sistema de quotas. Assim, tanto podemos optar por uma estratégia direta dizendo que não está certo ou que não concordamos, como podemos chamar a atenção para microagressões subtis ou “invisíveis” por trás do comentário feito. Isto pode ser feito através de afirmações do género “nem todos os asiáticos são bons a matemática” através de questões como “tens evidências que suportem essa afirmação?” ou ainda “a etnia, religião e identidade desta pessoa é realmente relevante para esta conversa?”.


Falemos por nós

Qualquer resposta que seja dada deve refletir a nossa perspetiva e sentimentos acerca da microagressão, diz Kevin Nadal, PhD, professor de psicologia na Universidade Nova Iorque. Não devemos assumir que as outras pessoas estão ofendidas, magoadas ou debilitadas. Devemos falar na primeira pessoa: “Aquilo que disse fez-me sentir desconfortável.”


Tenhamos por alvo o comportamento e não a pessoa.

Devemos evitar chamar o autor do comentário de racista ou atacar o seu carácter de qualquer outra forma. Isto tende a levar a uma atitude defensiva e diminuir a possibilidade de construção de uma relação que leve ao crescimento e entendimento. O melhor é ter como alvo o comentário propriamente dito, dizendo “Essa afirmação foi ofensiva e eu sinto que reflete algum viés racial” ou colocando uma pergunta que seja clarificadora, tal como “O que significa o que disse?” ou “Está consciente de como isso pode ser interpretado?”.


Procuremos apoio exterior

Quando as microagressões ocorrem repetidamente e outras estratégias não são eficazes, pode ser necessário pedir ajuda externa, diz Sue. Um aliado pode procurar apoio de empresas de comunicação social devido a comentários feitos por utilizadores nas suas plataformas, autoridades escolares se ocorrer bullying na escola/universidade, ou organizações de Direitos Humanos que podem trazer atenção adicional à questão.



Há muitas ações que podem ser tomadas por cada um de nós, sendo que não fazer nada não deverá ser uma opção pois numa sociedade é importante que todos lutemos pelo bem-estar uns dos outros.



(Baseado no artigo da revista Monitor on Psychology de setembro de 2021)

32 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
Post: Blog2_Post
bottom of page