• Sílvia Vilas

Compreender, conhecer, ajudar, proteger...

A Organização Mundial da Saúde identificou recentemente o fenómeno da fadiga pandémica como um novo tipo de fadiga diretamente relacionado com o desgaste emocional provocado pelo vírus. As pessoas estão cansadas de estar em permanente estado de alerta, de sentir um perigo eminente de forma constante.


É esta fadiga que leva a que comece a diminuir o nível de compromisso na tomada de ações que nos protegem, ao mesmo tempo que protegem toda a sociedade. Que leva a que haja quem se desleixe nas medidas de segurança ou que passeie ao fim de semana como se não houvesse um perigo a rondar cada um de nós.


Por outro lado, a perceção do perigo é diferente para cada um de nós, o que leva a que haja lugar a extremos: pessoas com medo excessivo e pessoas sem medo nenhum. Há ainda que considerar que não reagimos todos de igual forma ao medo: uns enfrentam-no, outros protegem-se e outros fogem à realidade, levando-os a acreditar que tudo isto faz parte de uma grande conspiração (voltarei a este tema).


A comunicação à volta desta crise também nem sempre tem sido a ideal. A comunicação em situação de crise já é difícil por si só (sendo também um tema premente a ser falado) e, como tal, tem que ser bem pensada e estruturada. Ora, sabemos que nem sempre assim foi. Os sociólogos e psicólogos teriam aqui um papel importantíssimo que não parece ter sido contemplado.


Desde o início de 2020 que a comunicação social tem, muitas vezes, empolado a forma de dar as notícias. E, como se isso não fosse suficientemente mau, houve a partilha de inúmeras gravações falsas que diziam que os hospitais estavam em rutura. Depois, afinal as coisas até não se resolveram mal com o primeiro confinamento. E assim fica difícil para alguns acreditar agora no que se está a passar.


A luz do Natal, a passagem de um ano muito difícil para outro que se esperava melhor e a vacina no horizonte podem também ter contribuído para este relaxamento em relação às medidas. Custa perceber que as coisas ainda estão na mesma, que parece que voltámos atrás no tempo, que afinal não havia lugar à esperança.


Há que compreender… porque só compreendendo, podemos ajudar a apreender a realidade e a agir em conformidade. Mas há também que ajudar a demonstrar essa mesma realidade. E para isso, partilho a conversa de ontem entre o Dr. Gustavo Carona e o Bruno Nogueira.



Ajudem a divulgar esta conversa. Também dessa forma nos ajudamos uns aos outros.

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